A publicação “Guardiãs da Floresta” reúne experiências de educação popular, arte e resistência construídas com lideranças dos territórios de atuação do Movimento

No mês em que é celebrado o Dia das Quebradeiras de Coco Babaçu no Maranhão, Piauí e Pará, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) entrega ao público o livro Guardiãs da Floresta: educação popular, extensão universitária, arte e resistência. A publicação será lançada no formato e-book e reúne experiências de formação desenvolvidas a partir do diálogo entre os saberes tradicionais das comunidades e o conhecimento acadêmico.
O livro é resultado da parceria entre o MIQCB e o curso de Licenciatura em Artes Visuais do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Centro Histórico, por meio do projeto de extensão “Educação Popular: quebrando saberes, elaborando projetos socioambientais e preservando a floresta de babaçu”. A iniciativa foi desenvolvida através do Edital de Fomento de Ações de Extensão nº 05/2024 (PROEXT/IFMA), sob coordenação da professora Dra. Michelle Freitas Teixeira. A versão do livro em e-book já está disponível para download aqui.
A obra reflete a vivência da extensão universitária no Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, pautada pela educação popular e contextualizada, aplicada na formação de lideranças, mulheres e juventudes oriundas das comunidades de base do MIQCB. Uma forma de sistematizar, compartilhar e ampliar a visibilidade dessas experiências, valorizando a construção coletiva do conhecimento e o encontro entre universidade e territórios.
Ao longo dos capítulos, a coletânea aborda temas como educação popular, questão agrária, organização social e luta por direitos. A pluralidade de perspectivas é uma das características da obra, que reúne textos e trabalhos artísticos produzidos por educadores, estudantes universitários, quebradeiras de coco babaçu e jovens dos territórios de atuação do Movimento.
“Este livro registra uma experiência de formação que reconhece as quebradeiras de coco babaçu e as juventudes não apenas como participantes, mas como produtoras de conhecimento. Sistematizar esses processos é importante para que os saberes construídos nos territórios possam circular, dialogar com a universidade e alcançar outros espaços. É também uma forma de fortalecer a memória, a organização e a luta das quebradeiras pela proteção dos babaçuais e de seus modos de vida.”, destaca Anny Linhares, assessora do MIQCB.
Mais do que registrar uma experiência de extensão universitária, Guardiãs da Floresta evidencia as possibilidades de construção de conhecimento a partir do diálogo entre a universidade e as comunidades tradicionais. Relatos, reflexões e produções artísticas mostram como a extensão pode aproximar instituições de ensino das realidades e demandas dos territórios e, ao mesmo tempo, reconhecer os conhecimentos produzidos pelas populações tradicionais.
Para apresentar o livro presencialmente, será realizado o lançamento no dia 24 de setembro, data em que é celebrado o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu no Maranhão, Piauí e Pará. A atividade integra a programação do Seminário de História e Política da Educação: perspectivas para formação humana e será realizada no Auditório de História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), na Rua da Estrela, S/N, no centro histórico de São Luís.

A publicação e a impressão do livro foram promovidas pelo MIQCB por meio do projeto Floresta de Babaçu em Pé, com recursos do Fundo Amazônia. Uma edição não comercial, de livre acesso, baixe agora mesmo.
Serviço
O quê: Lançamento do livro Guardiãs da Floresta: educação popular, extensão universitária, arte e resistência
Quando: 24 de setembro de 2026
Horário: A partir das 18h
Onde: Auditório de História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), São Luís (MA)
Atividade: Seminário de História e Política da Educação: perspectivas para formação humana
Realização da publicação: MIQCB, em parceria com o curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFMA – Campus Centro Histórico
Apoio: Projeto Floresta de Babaçu em Pé, com recursos do Fundo Amazônia
Acesso: Edição não comercial, de acesso livre e distribuição gratuita

Iniciativa promove formação pautada na educação popular e contextualizada e aproxima jovens mulheres do ambiente institucional do Movimento
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou, em São Luís, um intercâmbio com as jovens Pindovas do Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu.
O Programa é desenvolvido no âmbito do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu e integra o Projeto Educação em Movimento, com apoio da Co-Impact. O objetivo principal é fortalecer o desenvolvimento pessoal e profissional das juventudes de quebradeiras de coco babaçu por meio das práticas de gestão e governança do MIQCB, com ênfase em rotinas de mobilização e organização, educomunicação e transmissão do conhecimento tradicional entre gerações.
Chamadas de “Pindovas”, em alusão à fase mais jovem da palmeira do babaçu, as jovens selecionadas atuam junto à coordenação e assessorias regionais e interestaduais do MIQCB, de modo a vivenciar a dinâmica institucional do Movimento, em diversas ações como mobilização social, incidência política, desenvolvimento de projetos, rotinas administrativas, comunicação, educação popular, entre outras ações.

Durante dois dias de atividades, as jovens conheceram mais de perto a estrutura organizacional da sede administrativa, a estrutura de gestão e a governança do Movimento, dialogaram com a equipe técnica e compartilharam as experiências vivenciadas no primeiro mês de atuação nas regionais.
Participaram do encontro as seis jovens selecionadas por meio de edital lançado em maio deste ano: Maria Antônia Farias, da Regional Tocantins; Jucilene Trindade, da Regional Baixada-MA; Rayara Vieira, da Regional Mearim/Cocais-MA; Virgilina Soares, da Regional Imperatriz-MA; Thalícia Oliveira, da Regional Pará; e Gloria Machado, da Regional Piauí. Em agosto, elas iniciaram a formação prática em suas regionais e, neste encontro, compartilharam as vivências desse primeiro mês de experiência.

Para Ana Maria Ferreira, coordenadora do Centro de Formação do MIQCB, o encontro representa uma experiência pioneira de formação das novas gerações dentro do Movimento. Segundo ela, o programa foi pensado para aproximar as jovens do mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, fortalecer sua participação na organização das quebradeiras de coco babaçu.
“É um projeto-piloto que vai além de um estágio. É um programa de formação para que essas jovens conheçam a dinâmica do MIQCB, compreendam o trabalho das assessoras, técnicas e coordenações e possam se encontrar tanto no mundo do trabalho quanto no mundo do Movimento”, destacou.
A atividade também contou com momentos dedicados ao conhecimento do Planejamento Estratégico do MIQCB (2023-2028), com destaque para às políticas institucionais e aos eixos programáticos, especialmente Juventudes e Educação Contextualizada. As jovens também foram orientadas na construção do plano de trabalho que irá nortear sua atuação nos próximos meses.

A experiência foi marcada ainda pela troca entre as próprias jovens. Para Jucilene Trindade, da Regional Baixada-MA, o intercâmbio possibilitou ampliar os conhecimentos sobre a organização do MIQCB e compreender melhor os processos que orientam sua atuação.
“Está sendo uma experiência muito enriquecedora, cheia de conhecimentos. Conhecemos a dinâmica do MIQCB, a estratégia de trabalho, o plano estratégico e como funciona o trabalho de cada núcleo. Foi muito importante para entender melhor o Movimento”, afirmou.
Já Maria Antônia Farias, jovem quebradeira de coco da Regional Tocantins, destacou a importância de conhecer a sede interestadual e, principalmente, de vivenciar um espaço de troca entre diferentes territórios.
“Esse momento é muito importante e muito rico. A gente pode aprender mais e também ensinar o que sabe para outras Pindovas, assessoras e coordenadoras. Está sendo muito legal e vamos construir juntas nosso plano de trabalho.”, contou.
A assessora técnica Anny Linhares, que está à frente do projeto Educação em Movimento, destaca que o intercâmbio contribui para que as jovens retornem às regionais mais preparadas para acompanhar e desenvolver as atividades do programa nas regionais.
“Elas tiveram a oportunidade de ficar imersas na sede do Movimento, conhecendo a gestão, a governança, as ações estratégicas e compartilhando as experiências do primeiro mês de atividades. É um processo muito importante para que conheçam mais profundamente o MIQCB e retornem às regionais com mais informação e organização para desenvolver as atividades junto às coordenações locais.”, explicou.

O Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu integra o Projeto Educação em Movimento, iniciativa apoiada pela Co-Impact, e constitui uma experiência de formação política, organizativa e territorial voltada às novas gerações.
Ao longo de seis meses, as jovens Pindovas irão vivenciar processos de organização, gestão, mobilização, educomunicação e educação contextualizada, fortalecendo conhecimentos e experiências que poderão ser compartilhados em seus territórios.

Para o MIQCB, a iniciativa representa também um investimento na continuidade do Movimento e na formação de novas lideranças. Ao aproximar juventude, conhecimento e experiência, o programa cria espaços para que as jovens possam reconhecer seu lugar na organização e contribuir com novos olhares para as lutas das quebradeiras de coco babaçu.
Os dois dias de intercâmbio encerraram uma primeira etapa marcada por aprendizado, escuta e construção coletiva. Agora, as jovens retornam aos seus territórios para dar continuidade ao processo de formação, levando consigo novos conhecimentos e experiências para fortalecer a atuação das juventudes dentro do MIQCB.
Em três anos, o CFQCB consolidou uma experiência inédita de educação popular e contextualizada, ampliando a formação de quebradeiras de coco babaçu e juventudes agroextrativistas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins

No dia 2 de maio de 2023, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) inaugurava, em São Luís (MA), o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB), um espaço construído a partir da luta histórica das mulheres quebradeiras em defesa dos territórios, dos saberes tradicionais e da floresta de babaçu em pé.

Três anos depois, o CFQCB se consolida como uma das mais importantes experiências de educação popular vinculadas aos povos e comunidades tradicionais no Brasil. Mais do que um espaço de ensino, o Centro tornou-se território de resistência, troca de saberes, fortalecimento político e construção de autonomia para mulheres, jovens e lideranças agroextrativistas dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
A inauguração reuniu cerca de 120 pessoas entre quebradeiras de coco, estudantes, educadores populares, universidades parceiras, movimentos sociais e representantes de instituições públicas. Na ocasião, a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves de Sousa, destacou que o Centro representava “a realização de um sonho construído desde 1991”, pautado por uma educação conectada à realidade dos territórios e das mulheres quebradeiras.

Desde então, o CFQCB vem desenvolvendo formações baseadas na pedagogia da alternância, articulando tempo-escola, tempo-comunidade e intercâmbios, sempre relacionando teoria, prática e os modos de vida das comunidades tradicionais. O primeiro curso, “Quebrando saberes, elaborando projetos e protegendo a floresta de babaçu”, marcou o início dessa caminhada, reunindo mulheres e jovens em processos formativos voltados à elaboração de projetos socioambientais, organização política e defesa dos babaçuais.
Ao longo desses três anos, o Centro acumulou importantes conquistas. Em 2024, foram iniciadas as segundas turmas de mulheres e juventudes, ampliando significativamente o alcance da formação. Atualmente, o número de estudantes formadas(os) e participantes das ações educativas do CFQCB já ultrapassa a marca de 100 pessoas beneficiadas diretamente pelos processos formativos do Centro. O trabalho desenvolvido também ganhou reconhecimento nacional ao colocar o CFQCB entre os 15 semifinalistas do Prêmio LED, iniciativa que destaca experiências transformadoras na educação brasileira.
Além da formação, o Centro fortaleceu uma ampla rede de educadores populares, pesquisadores, mestres da cultura, profissionais da saúde e instituições públicas de ensino. Entre as parcerias construídas estão o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e outras instituições comprometidas com a educação do campo e os direitos dos povos tradicionais.
A professora Helciane Araújo, voluntária do Centro e integrante do Comitê Gestor do Fundo Babaçu, define a experiência como “uma iniciativa de muito êxito”, destacando o potencial do CFQCB em articular conhecimento acadêmico e saberes tradicionais.
Para as estudantes, o impacto da formação também se expressa nas transformações vividas nos territórios. A coordenadora de base Áurea Maria da Silva afirma que o Centro chegou “na hora certa”, fortalecendo a troca de saberes e ampliando os conhecimentos das mulheres quebradeiras.
A juventude também ocupa lugar central nessa construção. Davi Mourão Sousa, jovem da Regional Pará e estudante da segunda turma de jovens, destaca o Centro como “um aprendizado excelente para todos os filhos e netos das quebradeiras”. Já Antônia Silva de Almeida, do Piauí, reforça a importância de inserir os jovens dentro do Movimento e aproximá-los das discussões sobre território, associativismo, conflitos fundiários e Lei do Babaçu Livre.
Para Laura Gomes, aluna da segunda turma de mulheres, o Centro ajudou a fortalecer a compreensão de que “ser quebradeira não é só quebrar coco, é defender o território e lutar pela floresta em pé”.
Em 2025, o CFQCB ampliou ainda mais sua atuação com a criação da Comissão de Educação Popular e Contextualizada do MIQCB, o intercâmbio realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes e a realização do I Seminário de Educação Popular e Contextualizada do MIQCB, em São Luís. As ações reforçam o compromisso do Movimento com uma educação crítica, territorializada e construída coletivamente.
Já para 2026, o Centro projeta novos desafios e horizontes. Entre as iniciativas previstas estão o primeiro curso itinerante “Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização popular” e o segundo curso de extensão interestadual “Direitos Territoriais e Governança das Quebradeiras de Coco Babaçu”, aprofundando os processos formativos voltados à incidência política e à defesa dos direitos territoriais.
Ao completar três anos, o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu reafirma seu papel como espaço estratégico de fortalecimento das mulheres quebradeiras, da juventude rural e da luta coletiva em defesa dos babaçuais, da educação popular e do bem viver nos territórios tradicionais.
Para o MIQCB, celebrar os três anos do CFQCB é celebrar a continuidade de uma luta construída por gerações de mulheres que resistem, organizam seus territórios e mantêm viva a floresta de babaçu em pé.

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