
O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Pará esteve na 12ª Promotoria de Justiça Agrária de Marabá na última segunda-feira, 18, para dialogar com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) sobre demandas que envolvem a presença da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIQCB) no estado e a comercialização de seus produtos.
O município de São Domingos já possui filial do CIQCB no Estado do Pará em fase de execução, com espaço físico e equipamentos, previsto para atender 50 quebradeiras de coco. Segundo a diretora financeira do MIQCB e coordenadora executiva da Regional Pará, Cledeneuza Maria, já existem produtos disponíveis para venda, mas “precisam de alguns selos de qualidade e com com códigos de barras para liberação da comercialização e, portanto, necessitam do apoio técnico para etiquetar”.
Os representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que estavam presentes explicaram que os produtos dependem de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para contribuir, será realizada visita técnica para o mapeamento e a análise dos diversos produtos elaborados pelas quebradeiras. O MIQCB se comprometeu a relacionar as cooperadas quebradeiras de coco que atuam na região, indicadas pela municipalidade, para que o Sebrae possa realizar esse mapeamento.

Outro ponto levantado na reunião foi a dificuldade na logística, as mulheres precisam coletar os cocos na mata e levar a matéria prima até o local de manipulação. O representante do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), Márcio Holanda, lembrou que já existe um projeto da entidade que visa adquirir quadriciclos para viabilizar o transporte das sacas de coco babaçu.
Holanda ainda apontou a necessidade das quebradeiras de coco serem incluídas Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o que resultou no engajamento do MPPA em oficializar o pedido junto aos municípios de Itupiranga, São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia e Palestina do Pará.
Os municípios de Palestina do Pará e Brejo Grande do Araguaia, mais especificamente nas comunidades Itamiriam e Santa Rita, têm sido atingidos por agrotóxicos, o que tem gerado prejuízo para a produção de coco babaçu. Ficou decidido então, que o MPPA fará solicitação às prefeituras das cidades citadas pela fiscalização, por meio das suas secretarias do meio, a utilização de defensivos agrícolas (agrotóxicos), que tem gerado prejuízo para a produção de coco babaçu.
Como cada município possui uma particularidade, o que requer um olhar diferenciado a cada um deles, a reunião rendeu deliberações específicas que vão contribuir para o avanço das ações que envolvem as demandas apresentadas pelas mulheres quebradeiras de coco.
A reunião contou com a presença da titular da Promotoria de Justiça Agrária de Marabá, Alexssandra Muniz Mardegan, que ouviu as demandas apresentadas pelas mulheres do MIQCB. Dentre as deliberações está o compromisso de reunir as diversas associações comerciais dos municípios em que haja atuação das quebradeiras de coco, “com o intuito de sensibilizar o empresariado quanto à importância de ser um parceiro de produtores locais”.

O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Imperatriz, promoveu nos dias 2 e 3 de março, na Comunidade Pifeiros, localizada na zona rural de Amarante do Maranhão, a cerca de 25km de distância de Imperatriz, oficina sobre Racismo Ambiental e Justiça Climática e inauguração da casa de artesanato da juventude “Grupo Pindova -Filhos da Mãe Palmeira”. Na ocasião, cerca de 20 jovens receberam capacitações na produção de artesanato, com a artesã Rosalva Gomes.
Maria José, coordenadora executiva do Miqcb Regional Imperatriz e do eixo juventude do movimento ressalta a importância dessa ação para os jovens da comunidade de Pifeiros. “Estamos vivendo um momento feliz para todos nós, isso é importante para que o movimento cresça e os jovens sejam cada vez mais protagonistas de suas histórias.”, ressaltou.

A assessora do Miqcb, Sandra Regina ministrou a palestra de Racismo Ambiental e Justiça Climática, uma ação que faz parte da campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher, que é executado pelo Miqcb, Oxfam Brasil e outras organizações. “Esse momento é importante para que a juventude tenha acesso as informações cruciais como a Lei Babaçu Livre e todas as formas de combater o racismo ambiental e busca pela justiça climática-. Sandra também destaca a alegria enquanto instituição a inauguração da Casa de Artesanato. Além disso, temos a imensa alegria em compartilhar com essa juventude esse momento de equiparmos e estruturarmos a Casa para melhor atendermos esses jovens”.
A construção do espaço de artesanato e aquisição de equipamentos contou com apoio financeiro da MISEREOR.

A jovem Fraciely Brito, integrante do grupo de artesanato Pifeiros, fazer o artesanato é dar continuidade a arte ancestral da sua comunidade. “Não podemos deixar morrer a arte que vem passando de geração para geração, além de ser muito bonito”. Disse. Franciely ressaltou também o que mudou com a inauguração da nova Casa de Artesanato: “Com a nova sede nós temos um espaço próprio para produzirmos as peças, não tínhamos um espaço adequando e agora está muito melhor, além dos equipamentos que conseguimos adquirir para termos mais ferramentas para o nosso trabalho”, pontuou.
Genilson Ferreira, um dos primeiros jovens a integrar a Casa de Artesanato de Pifeiros, falou da sua alegria em receber esse espaço para trabalhar com artesanato. “Conseguimos conquistar a nossa casa para produzirmos o nosso material, sou um dos primeiros jovens a integrar o grupo e hoje conseguimos vender nas feiras, aqui nós fazemos brincos, colares, pulseiras, anéis, porta canetas, entre outras coisas. Antes da Casa tínhamos muita dificuldade, pois a antiga casa não era adequada, agora temos mais conforto e segurança em fazer o trabalho”, disse.

A quebradeira de coco e artesã, Rosalva Gomes, realizou as capacitações do grupo de jovens na produção das peças provenientes do babaçu. “Nós jovens temos uma força a mais com o artesanato do coco babaçu, pois desenvolvemos a relação com o babaçu para além do consumo, mas também com a arte. Desenvolvemos a nossa criatividade, o próprio babaçu se define, quando estamos trabalhando com ele. Anteriormente não tínhamos uma estrutura elétrica, para as máquinas para fazermos o nosso artesanato e a gora temos mais condições para fazermos o nosso trabalho, além do sentimento de pertencimento que temos, para que os jovens reconheçam esse espaço como deles”, afirmou.

As cinco organizações sociais do Estado do Piauí que foram contempladas pelo Fundo Babaçu, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB, recebem capacitação em Gestão de Projetos. A ação aconteceu nos dias 30 e 31 de janeiro, na escola CETI – José Nogueira de Aguiar, em Esperantina- PI. Participaram representantes de organizações dos municípios de Esperantina, Floriano, Elizeu Martins e Antônio Almeida. Ao todo, o Fundo Babaçu está destinando mais de R$ 200 mil (recurso não reembolsável) para apoiar projetos socioambientais no Estado.
O objetivo da oficina é contribuir e orientar as lideranças e gestores para executar todas as etapas do projeto como: prestação de contas, relatórios narrativos e financeiros, práticas e procedimentos para boa gestão, bem como, monitoramento, avaliação e visibilidade.

“As quebradeiras de coco têm o direito de participar de políticas sociais. Para garantir e contribuir com o bem viver das famílias de comunidades rurais, nós do MIQCB desenvolvemos o Fundo Babaçu que tem o propósito de atuar para a conservação dos babaçuais diretamente associada ao fortalecimento e reconhecimento dos modos de vida sustentáveis dos povos e comunidades tradicionais”, frisou Maria Alaides, coordenadora geral do Miqcb.
Os projetos socioambientais selecionados vão desde capacitações, intercâmbios, ações de combate à violência contra a mulher, fortalecimento aos grupos produtivos de quebradeiras de coco babaçu como aquisição de equipamentos, capacitações, aumento da produção e comercialização. A capacitação foi ministrada pela Secretária do Fundo Luciene Dias Figueiredo.

O Fundo Babaçu é uma iniciativa do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB e tem como objetivo promover o acesso a recursos de caráter não reembolsável para a ampliação em projetos socioambientais e de inclusão socioprodutiva por grupos comunitários e organizações de base. Até o momento o Fundo Babaçu recebe apoio financeiro da Fundação Ford, Fundo Amazônia/BNDES e The Thenure Facilite.
Desde sua criação em 2013, o Fundo Babaçu já lançou sete editais propiciando o acesso de mais de R$ 2,1 milhões para grupos e organizações comunitárias de quebradeiras de coco babaçu e agricultores familiares nos estados de atuação do MIQCB: Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.
INTERCÂMBIO – Na quarta-feira, 31, o grupo participou de intercâmbio nas comunidades Tapuio e Fortaleza III, em Esperantina. São grupos produtivos que já executam projetos financiados pelo Fundo Babaçu. Na comunidade Tapuio foram visitados grupos de mulheres que trabalham com a produção de bolos, e na comunidade Fortaleza III os participantes conheceram a unidade produtiva de mesocarpo e azeite do coco babaçu. A unidade recebeu apoio do Fundo Babaçu para ampliação e melhoramento da estrutura do espaço e, durante a visita as mulheres realizaram a entrega de azeite e mesocarpo para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) CONAB.

Para Helena Gomes, diretora da Cooperativa CIMQCB) e Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu da Micro Região do baixo Parnaíba Piauiense – AMTCOB, mostrar os frutos do Fundo Babaçu é muito gratificante. “Estamos muito contentes em poder compartilhar nossa experiência com várias companheiras que vivem do babaçu. Mostramos com muita alegria a forma como nos organizamos para produzir, comercializar e, acima de tudo, com o Fundo Babaçu nos ajudou a conseguir muitas conquistas”, frisou.

BAQUELI – Durante a Programação, no dia 29, a coordenadora do projeto “Babaçu Livres e Quebradeiras Livres-BAQUELI”, Renata Cordeiro conduziu a reunião de nivelamento do projeto onde foram apresentadas as linhas gerais do projeto, com destaque para área de abrangência; fortalecimento do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu; gestão dos territórios coletivos; Lei Babaçu Livre; formações nas áreas política, jurídica e de comunicação popular; Fundo Babaçu e outros temas.

Cerca de 30 jovens, filhas e filhos de quebradeiras de coco babaçu, dos Estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins estão participando da primeira turma de juventude do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, localizado em São Luís (MA). Os jovens de diferentes comunidades estão tendo a oportunidade de experiência integrativa de fortalecimento da história, cultura e modo de vida extrativista, com destaque para a história das quebradeiras de coco babaçu.
A estudante Gildeane Carvalho, da Comunidade Pequizeiro, localizada em Axixá do Tocantins, já quebra coco babaçu desde criança, acompanhada de outras três gerações: sua mãe, sua avó e sua bisavó. Ela, que participou da formação, disse ter se encantado com a oportunidade. “Agora fui até São Luís para aprender mais sobre esse trabalho tão digno”.
O curso foi planejado para ser realizado entre os dias 29 de janeiro e 9 de fevereiro, durante o período de férias escolares, para complementar os ensinamentos que já recebem nas escolas. A estudante Taslane Carneiro, de Imperatriz (MA), ressaltou que o curso foi uma experiência única porque “aprendi ainda mais sobre o quanto nossa cultura é valiosa”.
O Centro de Formação é um sonho realizado, as quebradeiras de coco idealizaram esse espaço por anos. A conquista sediou o primeiro encontro entre as próprias mulheres, em junho do ano de 2023. Foi nessa oportunidade que se levantou a necessidade de oferecer formação também para as Juventudes, principalmente para os jovens vivenciarem outras realidades.

E deu certo, é o que conta a participante Rosizele Ferreira, do Piauí: “Para mim foi muito interessante. Somos todas quebradeiras de coco, mas de regiões diferentes, com culturas diferentes e linguagens diferentes. Estou fascinada”.
Em dois módulos, as juventudes puderam aprender sobre o Histórico dos Movimentos Sociais e MIQCB; Identidade e Protagonismo das Juventudes Quebradeiras de Coco; Território e Questão Agrária; Auto organização das Quebradeiras de coco babaçu; Cooperativismo e Associativismo; Mobgrafia; Cartografia; Diagnóstico das Realidades Regionais e Comunitárias; Nova Cartografia Social; e Elaboração de Projetos Socioambientais.
Todas as aulas foram ministradas por professores voluntários parceiros. É o caso de Aluísio Torres, Superintendente de Educação e Promoção da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão.
“Nós viemos falar sobre saúde mental, um tema de extrema importância para todas as pessoas que estão envolvidas nesse processo de formação. Foi uma troca muito importante nesse processo de formação profissional, do aprendizado mútuo, do trabalho, dos conhecimentos que transversalizam esse nosso cotidiano, que é tão turbulento, mas que com muita conversa podemos passar por ele em doses homeopáticas”.
Os primeiros formandos do Grupo de Formação ainda deixaram um recado em voz uníssona: “a luta continua por terra e território livre, pelo direito à educação contextualizada, pela floresta em pé, pela valorização da nossa identidade, pela alimentação saudável e pelo babaçu livre”.








O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Tocantins recebeu as regionais Imperatriz e Pará para partilhar o Dia Internacional da Mulher, nos dias 7 e 8 de março. O evento aconteceu na Escola Estadual Joaquim Theotônio Segurado, na Comunidade Sumaúma, no município de Sítio Novo, e contou com uma programação recheada de informação, discussão e construção social.
Foram dois dias de luta e festa, pois, como lembrou dona Francisca Pereira Vieira, coordenadora de Base da Regional Tocantins, “para que hoje as mulheres possam usufruir de direitos e impor a sua voz, muitas outras lutaram antes de nós”.
Até mesmo a juventude estava envolvida nessa atividade. É o que conta a jovem Taslane da Conceição Carneiro, da Comunidade Cuverlandia, que participou do último curso para as juventudes do Centro de Formação do MIQCB. Experiência esta que a fez se envolver mais com as pautas discutidas nas comunidades. “Hoje tenho ainda mais consciência sobre a importância das juventudes das comunidades protetoras da Floresta de Babaçu para a sociedade. A nossa opinião importa, por isso é que passamos a lutar junto com as mulheres”.

Para Cledeneuza Maria, diretora financeira do MIQCB e coordenadora executiva da Regional Pará, a ideia de unir as três regionais tem o propósito de reforçar a união do MIQCB. “Nós queríamos atingir maior número de mulheres para que mais pessoas se envolvam com o movimento, que reconheçam os valores das quebradeiras, valorizem o nosso trabalho e a Floresta de Babaçu”, afirmou ela.
A diretora da Escola Estadual Joaquim Theotonio Segurado, Francisca Milda, disse ter ficado feliz com a presença do MIQCB na comunidade, além de apoiar as discussões propostas junto aos discentes e docentes. “O que a gente mais queria era que todos participassem. A vivência que essas mulheres trouxeram faz parte da rotina dos pais dos nossos alunos. Foi uma forma de conhecer a realidade que as famílias enfrentam enquanto os filhos estudam”.
Cartografia Social
No primeiro dia, os trabalhos iniciaram com a apresentação da cartografia social construída pelas próprias quebradeiras de coco. A Oficina de Mapeamento de Impactos aos Babaçuais e Instrumentos de Enfrentamento a Crimes Ambientais, ministrada pela coordenadora de projetos do MIQCB, Sandra Regina Monteiro, apontou a necessidade da continuidade da cartografia social na proteção da Floresta de Babaçu.
Em 2015, o MIQCB fez um trabalho conjunto com as universidades e produziu um mapa, coordenado pelo professor Alfredo Wagner de Almeida. Nele, há identificação das unidades produtivas, das comunidades, os grandes empreendimentos que impactam na vida delas, como a monocultura de eucalipto e soja, além das carvoarias; que impactam na quebra do coco, no preço da amêndoa e dos produtos. “Tem propriedades que colocam cercas elétricas, que impedem as mulheres de acessar a palmeira, tudo isso é identificado no mapa”, como relatou Sandra.

O mapeamento serve para identificar os impactos negativos e positivos das atividades relacionadas ao meio ambiente. “Tudo o que acontece dentro das comunidades deve ser mapeado para que as quebradeiras de coco possam ter melhor noção do que fazer para tomar providências cabíveis ou ampliar aquilo que é positivo”, ressaltou Sandra. A ideia é pensar em instrumentos ambientais que possam contribuir para diminuir ou lidar com esses impactos.
Depois do almoço, a oficina passou para a prática. Três grupos foram separados para que pudessem discutir entre si. O intuito desse momento é proporcionar troca de vivências e realidades territoriais diferentes. Mulheres do Maranhão, Pará e Tocantins puderam compartilhar informações sobre suas comunidades para identificar pontos em comum e planejarem soluções conjuntas ou pontuais.
Sandra explica que esse momento é crucial. Chamado de diagnóstico, são as próprias mulheres que devem apontar o caminho a seguir. “É importante que os instrumentos ambientais sejam discutidos pela comunidade. Além daqueles que já precisamos seguir, como as legislações e protocolos ambientais, o grupo dialoga e aponta soluções. Se tem problemas, as próprias mulheres é que vão dizer onde estão localizados”.
Como resultado das discussões das questões climáticas, ambientais e sociais que vivenciam em suas comunidades, as mulheres apresentaram diagnóstico socioambiental dos Grupos de Trabalho com o objetivo de encontrar instrumentos capazes de perpetuar boas práticas, desenvolver novas alternativas de proteção à Floresta de Babaçu e inibir/denunciar os crimes ambientais nos territórios.
Lançamento da Campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher
Na manhã do segundo dia de evento as mulheres apreciaram o curta metragem que marca o início da Campanha. O documentário já está disponível na página oficial do MIQCB no Youtube. Assista ao registro que expõe a luta dessas mulheres em defesa da Mãe Palmeira aqui.
Saúde Mental e Autocuidado
Conduzido pela psicóloga Juliana Lima Filgueira, que atua no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Sítio Novo, a palestra sobre Saúde Mental e Autocuidado foi dedicada a esclarecer dúvidas das mulheres, além de orientações pontuais relatadas por elas. O espaço de conhecimento e escuta foi utilizado como instrumento de apoio ao combate às variadas violências contra a mulher.
Segundo Juliana, falar sobre saúde mental e autocuidado para mulheres é de extrema necessidade. “As mulheres estão acostumadas a cuidar da família, mas não têm se dedicado a cuidar de si. Os aspectos físico, emocional e espiritual adoecem quando negligenciados”.

A psicóloga convidada usou analogias simples para dividir seu conhecimento, como uma mala, onde carregamos nossas experiências. “A gente tem uma bagagem onde carregamos toda a nossa história. E a partir dessa história a gente forma o nosso ser. Nós precisamos aprender a descartar as experiências que não nos fazem bem, ou passaremos a vida carregando um peso desnecessário”.
As mulheres foram incentivadas a relatarem casos de violência e se prontificaram a formar uma rede de apoio umas para as outras. Juliana ficou impressionada com a força das mulheres participantes. “Foi ótimo poder dividir esse espaço com cada uma delas. Oportunidade como essa, mais aprendo do que ensino, tanto pelas experiências, quanto pela bagagem da vida que é compartilhada”.

(FOTO: Elitiel Guedes)
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) já se prepara para promover debates, palestras, reuniões, exposições degustações, feira, mutirão de quebra de coco, caminhada e muito cântico nas Comunidades e municípios das Regionais Baixada (MA) Mearim Cocais (MA), Piauí, Pará e Tocantins/Imperatriz (MA) em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
Cada Regional desenvolveu seu próprio cronograma, algumas junto às Comunidades outras nos municípios sedes. De 5 a 12 de março prevalece a Violência contra a Mulher como tema central das discussões promovidas por todas as regionais. Mas a programação é diversificada e inclui debates sobre a Lei Babaçu Livre, entraves no acesso as políticas de comercialização, mapeamento de impactos aos babaçuais e instrumentos de enfrentamento a crimes ambientais, saúde mental e autocuidado, lançamento da campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher.
O Racismo Ambiental também estará na pauta de todas as regionais. Entender as consequências da poluição ambiental é tema de discussão para as comunidades porque são elas as principais localidades impactadas pela degradação do meio ambiente. Ela pode vir de muitas formas, como o rejeito que adoece os rios; ou o corte das palmeiras que ameaça à extinção; pode ser visível, ainda, pelo plantio de florestas não nativas, que degradam o solo local e impactam a subsistência das comunidades circunvizinhas; além do veneno aplicado nas florestas e lavouras com a intenção de fazer essas plantas crescerem mais rápido e maiores, mas atinge o lençol freático e contamina poços nas redondezas.

Regionais
A Regional Baixada vai realizar a mesma atividade em três municípios diferentes do Maranhão. O primeiro dia, 5 de março, será na Comunidade Poção Grande, em Viana ; o segundo vai acontecer dia 6, no município de Pedro do Rosário, na Comunidade Encruza Nova. E no dia 8 é a Comunidade Quilombo São Caetano, em Matinha vai realizar o Mutirão de quebra de coco com doação das amêndoas ao Grupo Produtivo do Quilombo São Caetano, além da partilha das cascas do coco entre as comunidades participantes para produção de carvão.

No Piauí, as mulheres investiram na “Autoidentidade da Quebradeira de Coco Babaçu” para instruir a juventude sobre a história do movimento e reforçar a proteção da Floresta de Babaçu entrelaçado ao seu modo de vida, que vai acontecer no dia 6 de março, em Esperantina (PI).
A Regional Imperatriz (MA) se juntou à Regional Tocantins para fazer uma grande mobilização. A Noite Cultural já promete ser uma grande comemoração, mas são as cantorias tradicionais que vão unir as vozes das mulheres quebradeiras de coco. As atividades programadas estão agendadas para acontecer na Comunidade Sumaúma, nos dias 7 e 8 de março.

O destaque da programação preparada pelo Pará é a Feira Agroecológica ao final da caminhada. Os produtos em exposição, provenientes das atividades desenvolvidas nas próprias comunidades estarão à venda para todas as pessoas de São João do Araguaia (PA). A concentração para início da caminhada está marcada para o dia 8 de março, na praça da Prefeitura de São João do Araguaia com deslocamento para o Galpão do CRAS, na entrada da cidade, onde estará a Feira.

Mearim Cocais propôs uma bateria de palestras informativas e educativas nos dias 11 e 12 de março. O ponto alto, no entanto, será a “blitz da mulher”, uma caminhada que tem a intenção de reivindicar ao Poder Público a aprovação da Lei Babaçu Livre, tanto em Timbiras (MA) quanto em Codó (MA).
Texto: Jully Santana

O Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Imperatriz realiza atividade com o Grupo Pindova – Filhos da Mãe Palmeira nos dias 2 e 3 de março de 2023 na Comunidade Pifeiros, localizada na zona rural de Amarante do Maranhão, a cerca de 25km de distância de Imperatriz. A ideia é reunir a comunidade para uma programação que conta com Oficina sobre Racismo Ambiental e Justiça Climática, inauguração da Casa do Artesanato e noite cultural com a dança tradicional Lindô.
O evento foi planejado para a juventude da Comunidade Pifeiros, o Grupo Pindova, mas está aberto à todas as pessoas que demonstrarem interesse na programação. Para a assessora técnica do MIQCB Regional Imperatriz, Wcélia Carvalho de Lima, “nós promovemos esse encontro pensando nas juventudes das comunidades, principalmente de Pifeiros e Água Preta que estão próximas, mas o convite se estende a todas as pessoas que tiverem interesse pela pauta”.
Wcélia, que já fez parte do Grupo Pindova quando jovem, e é remanescente da Comunidade Pifeiros, ainda lembra a importância de desenvolver a pauta do Racismo Ambiental com as juventudes nos territórios. “São eles os futuros guardiões da floresta do Babaçu”.
O Racismo Ambiental é o tema do primeiro dia de evento, sábado. Criado na década de 1980 pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., o Racismo Ambiental refere-se ao formado social imposto às comunidades e minorias étnicas submetidas à marginalização e à situações de degradação ambiental. A assessora de projetos do MIQCB, Sandra Regina, mediará a roda de conversa sobre as temáticas relacionadas ao assunto no contexto da realidade local.
O sábado, 2, será encerrado pela Noite Cultural com a dança típica e tradicional lindô. Música e diversão será pré-requisitos para aqueles que desejarem participar do Concurso de Dança, além de uma dinâmica de prêmios sobre conhecimentos adquiridos durante todo o evento.
O domingo, 3, começa com um café da manhã coletivo, cada participante deve levar um prato de sua preferência para compartilhar com as demais pessoas. No entanto, o dia é dedicado à Inauguração da Casa do Artesanato na Comunidade Pifeiros, ambiente exclusivo para o desenvolvimento de peças feitas com o coco babaçu. Para isso, o MIQCB convidou a artesã Rosalva Gomes para um dia de oficina com teoria e prática laboral, desde a coleta da matéria prima até à venda dos produtos manufaturados.
Confira a programação completa:

Matéria: Jully Santana

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